domingo, 27 de abril de 2014

Vislumbro



O tempo insiste em vir trazendo o que se leva e vai
Modifica o meu mundo antes que eu possa registrar
Vislumbro de lembranças que ficaram para trás
Dias cheios podem deixar algo importante sem lugar
Não há como evitar...

Nossa rota pelo céu já esta definida
Translações e precessões que carregam nossas vidas
Rotações para tornar dia em noite, noite em dia
Enquanto dormimos indiferentes a chegadas e despedidas

Ficarão aqui guardados sentimentos de contemplação
Escritas a mão palavras pra recordar da emoção
Versos criados sobre alguma inspiração
Desta viagem pelo espaço nesta constelação

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Saindo do Vácuo


Foi como um sono sem sonho

Vácuo turvo de escuridão

Um intervalo de morte entre a vida

Pensamento cessante que submergia...

Sem que a consciência notasse seu próprio afogamento

Nenhum sentimento

Já sem motivos para nada disso dentro de mim...

Acordei do vazio

E decidi viver de outra forma

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Admirável Mundo Velho



Ela era como um robô, com bateria infinita e sem botão de desliga

Trabalhava, mas não pensava e se por algum instante o trabalho acabava, se encontrava em uma angustia desmedida, que não sabia da onde vinha, por esta razão o ócio não lhe agradava

Se o serviço terminava ela dormia, se sono cessava ela quase que instantaneamente se arrumava e tomava o seu rumo para mais um dia de ocupação

As vésperas de sua folga ela se esbaldava, enchia a cara, ria e depois chorava, seu próprio raciocínio estava tão fora de si que já não a amedrontava

No dia seguinte a dor de sua ressaca roubava sua atenção, quando a dor de cabeça passava e a depressão se aproximava, ela logo se levantava e cuidava da arrumação

Um dia, após anos transcorridos, ela dormiu e não despertou, uma artéria se bloqueou, devido a tanta gordura que se acumulou

Contaram os anjos que ao renascer diante da entrada para o paraíso ela julgou estar no inferno, pois não havia lá quase trabalho ou álcool, teve assim tempo para encarar seus próprios demônios de frente e expulsa-los de si mesma antes de ver os portões do Céu se abrirem, agora ela tinha olhos para enxergar o que havia de belo na vida que nunca viveu.

domingo, 8 de setembro de 2013

Que Zidane!



Critiquei o capitalismo, me acusaram de comunista.
Critiquei o comunismo, me acusaram de anarquista.
Critiquei o anarquismo e novamente me acusaram... Desta vez de idealista despolitizado.
Entre a direita e a esquerda...
Entre a direita e a esquerda...
Entre a direita e a esquerda...
Não souberam identificar o caminho que prefiro.
Pensei: Melhor mudar de assunto... Que se dane!
“Vocês gostam de futebol?”
Capitalistas, comunistas e anarquistas sorriram para mim. Como não?! Tratava-se de um tema do qual quase todo brasileiro gosta, capaz de suprimir diferenças políticas, religiosas e até mesmo a diferença entre as classes sociais...Ou eu estava enganado?
Comentei que adorava o Zidane e mais uma vez me acusaram, desta vez de antipatriota, foram incapazes de ver que meu gosto pelo Zidane não tinha nada a ver com sua nacionalidade...É que ele jogava com as duas pernas.
Virei as costas e fui embora, tem vezes que o silêncio é a melhor resposta, já que cabeçada no peito causa sofrimento, mas zagueiro esperto não liga para esse tormento, dor mais insólita é perder a cabeça e a copa.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O Que Me Resta



Sentimentos mais amenos

Alma mais leve

Depois da queda passo a passo a vida continua

Com toda sua magia

Com todos os seus obstáculos

Não há nada de errado

Minhas suspeitosas certezas não se confirmaram

A beleza se mantem inexplicável

Resta a mim admirá-la



quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Abrigo



Buscando abrigo

Fugi de mentiras sinceras

Procurei por verdades simples e despojadas

Ornamentei-me e sintetizei-me além do necessário

Acreditando na possibilidade do destino na contramão

Ainda assim tenho vislumbrado uma elevação espiritual

Encontrando o foco de ideias que me tragam compreensão para viver em paz

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Sonhador



Não sou poeta

Com que direito tomaria posse desse substantivo tão rico em significado embora incapaz de significar-me?

Não sou mais que um atrevido

Perdido entre o verso e a prosa

Fazendo uso das palavras sem sentir nenhuma culpa...

Hora, mas que culpa?

Se as palavras pertencem a mim como pertencem a todos

E ainda assim elas não têm dono quando não colocadas em ordem já utilizadas

Devendo sua reprodução estar entre aspas

Se são como a terra, antes da ambição psicopata do homem lhe meter uma cerca a sua volta chamando-a de sua

Se são como os animais, antes da industrialização condená-los a escravidão e ao abate, tratando-os como produtos de consumo para
saciar nosso fútil apetite

Pobres criaturas sensíveis...

Não são como as palavras

As palavras são livres, como eu, embora quem assim não me entenda se sinta no direito de roubar-me, me impondo opções de caminhos já traçados para que eu não tenha a escolha de nenhum outro descobrir

Se sou mesmo livre, deixem-me encontrar meu próprio destino

Deixem que eu me iluda, me descubra, me reconstrua

Pois sou um sonhador enquanto prisioneiro das vontades alheias

Que tentam proteger-me de mim mesmo e impedir que eu me conheça